Lenda do Caipora

A lenda do Caipora no Acre é contada pelos povos ribeirinhos, seringueiros e indígenas como uma história de respeito e temor à floresta.

O Caipora é descrito como um ser pequeno, de pele escura ou avermelhada, cabelos compridos e desgrenhados, olhos brilhantes e corpo ágil. No Acre, dizem que ele anda sempre montado em um porco-do-mato e carrega um pedaço de galho ou tacape como arma. É o guardião dos animais da mata e não tolera a caça predatória.

Segundo a tradição, o Caipora aparece especialmente em dias santos e nas sextas-feiras, quando vaga pelas matas para proteger sua “gente”, os bichos. Quem caça em excesso ou mata fêmeas prenhas pode receber uma visita nada amigável dele.

Os antigos contam que, para se vingar, o Caipora pode confundir os caminhos, fazendo o caçador andar em círculos até se perder; tirar a pontaria, para que a caça sempre fuja; ou até adoecer quem desrespeita as leis da mata.

Por outro lado, quem pede licença antes de caçar e deixa um pouco de fumo ou cachaça como oferenda pode ganhar a simpatia do Caipora e até receber sua ajuda para encontrar caça farta — mas apenas o necessário para comer.

No Acre, a crença é tão forte que muitos caçadores ainda fazem o sinal da cruz e sussurram um pedido de licença antes de adentrar a mata, temendo cruzar o caminho do pequeno e implacável protetor da floresta.

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